TRIBUTO AOS MÁRTIRES DE CUNHAÚ

Mártires da fé, filhos do Rio Grande

Francisca Freire
publicado em 16/07/2020 17:43

Neste 16 de julho, rememoramos a coragem e fé do primeiro grupo de mártires potiguares, os de Cunhaú. Este assunto reporta-nos ao Catecismo da Igreja Católica, segundo o qual “O martírio é o supremo testemunho dado em favor da verdade da fé; designa um testemunho que vai até à morte. ... Dá testemunho da verdade da fé e da doutrina cristã. Suporta a morte com um ato de fortaleza”.

Será que a motivação ao martírio ocorrido em Cunhaú foi única? Não! Não foi!

Se colocarmos sobre a mesa os martírios ocorridos nos primeiros séculos da Igreja, no início do Novo Testamento e nos dias atuais, ver-se-á que a perseguição de ontem não se arrefeceu com o passar dos tempos e nem mudou a motivação, é sempre uma perseguição a alguma coisa inerente à fé: “Porque vós sabeis que para isso é que fomos destinados. De fato, quando ainda estávamos entre vós, nós já vos dizíamos que devíamos sofrer tribulações, e assim aconteceu como vós sabeis” (1Ts 3,3b-4).

Nos dias atuais as perseguições se nos apresentam sob novos aspectos, às vezes, partem dos próprios cristãos, ou que se dizem cristãos, através do escárnio às coisas sagradas, a banalização ao divino, a indiferença, a calúnia e até mesmo o martírio que leva à morte. “Precisamos ter consciência de que o ódio à fé tem se manifestado como ódio ao amor pelo qual opera a fé e que se manifesta na configuração da própria vida à de Jesus que doa livremente sua vida para ser fiel a Deus até o fim.” Pode-se dizer que a nossa Igreja é uma Igreja de mártires – “o martírio como símbolo e condição do ser-cristão”.

Assim, temos que o martírio faz a vida cristã transparente, porém a fé bíblica se manifesta contrária, conforme diz Jesus no Evangelho de Mateus: “Ide aprender o que significa: quero Misericórdia e não sacrifício” (cf. Mt 9,13; 12,7). Vale dizer que o importante é ter o coração aberto a Deus e ao próximo. E mais: em sendo a salvação dom de Deus, para que servirá o sacrifício? Reflitamos!

Retomando o martírio de Cunhaú, vemos que tal episódio evidencia “a ligação íntima que os católicos têm com a Santa Missa dominical, ligação conhecida inclusive pelos inimigos da Igreja”.

A história do morticínio que aconteceu em Cunhaú nos idos do dia 16 de julho de 1645, um domingo, assim é contada: “foi precedido de uma convocação no dia anterior. Um servidor dos holandeses chamado Jacó Rabe e “conhecido de todos pelas suas frequentes incursões por aquelas paragens”. A intenção era aparentemente pacífica. Por isso, os moradores não levaram armas consigo porque, além de ser proibido o porte de armas pelas autoridades holandesas, tratava-se do cumprimento do preceito da missa dominical

Os calvinistas holandeses, em conluio com os indígenas, nem esperaram a Missa terminar para começarem a matança dos católicos. Após a consagração e a elevação da hóstia e do cálice, os fiéis foram tomados de grande espanto quando entraram no recinto da igreja Jacó Rabe à frente de um bando de soldados holandeses e índios tapuias e potiguares, todos bem armados.

As portas foram trancadas e a missa foi interrompida. Começou a grande chacina: foram trucidados e mortos o Padre André de Soveral e todos os que estavam na igreja, aproximadamente sessenta e nove pessoas. Foram cenas de grande atrocidade: os fiéis em oração, tomados de surpresa e completamente indefesos, foram covardemente atacados e mortos pelos flamengos com a ajuda dos tapuias e dos potiguares.”

Às vítimas do massacre de Cunhaú não foi dado tempo para comungarem sacramentalmente. Eles fizeram a comunhão na própria carne com seu sofrimento e a sua morte, inclusive o nosso padroeiro, o agricultor Mateus Moreira, que, ao ser martirizado, exclamou: ”Louvado seja o Santíssimo Sacramento!”

O sangue dos mártires nos dá esperança e gera frutos para a construção do Reino de Deus!


É necessário fazer o login para postar comentários.