publicado em 14/05/2018 19:04

MARIA, GERADORA DE PAZ

Busquemos mudar a Cultura da Violência em Cultura de Paz, colocando Maria, Rainha da Paz, no centro de nossas vidas.

Francisca Freire da Costa

FESTA DA COMUNIDADE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA – MAIO DE 2018
MARIA GERADORA DE PAZ
MARIA ENSINA A SUPERAR A VIOLÊNCIA NA COMUNIDADE,
POIS SOMOS TODOS IRMÃOS UNS DOS OUTROS

Boa noite, irmãs e irmãos em Cristo!
Agradeço, com muita humildade, à coordenação da Comunidade de Fátima, o privilégio de haver sido lembrada para manifestar-me sobre o tema desta noite festiva.

Seguindo a mesma linha da CF deste ano, a Comunidade de Nossa Senhora de Fátima realiza sua festa a partir do tema: MARIA GERADORA DE PAZ, cujo subtema é: MARIA ENSINA A SUPERAR A VIOLÊNCIA NA COMUNIDADE, POIS SOMOS TODOS IRMÃOS UNS DOS OUTROS.

Em nossa fala, há três palavras chaves: MARIA, PAZ e VIOLÊNCIA, não necessariamente nessa ordem.
Inicio com uma citação de São Bernardo de Claraval, alguém que devotava um amor extremo a Maria:

“Se o vento das tentações se levanta, se o escolho das tribulações se interpõe em teu caminho, olha a estrela, invoca Maria”.

Todos nós sabemos que a violência é uma das questões sociais que mais causam preocupação em todo o mundo. É algo ruim que existe desde sempre. Inclusive, está presente até na Sagrada Escritura. Quem não conhece a história de Caim e Abel? O próprio Jesus viveu em tempos de violência. Daí Ele haver nos ensinado que o coração humano é o real campo de batalha, onde se defrontam a violência e a paz, quando Ele disse: “Porque é do interior do coração dos homens que saem os maus pensamentos”. (Marcos 7, 21). Toda violência é uma contradição ao que Jesus sempre ensinou: “Amarás o Senhor teu Deus e ao teu próximo como a ti mesmo”.
Todavia, embora a violência não seja um fato novo, nos tempos atuais, ela se nos apresenta de uma maneira catastrófica em prejuízo de crianças, jovens, idosos, enfim, da própria comunidade como um todo. São violências dos mais variados tipos:
Tortura - para causar lesões físicas, ou mentais, ou de ambas as naturezas
Violência Psicológica - relação de poder com abuso da autoridade
Discriminação - segregação, tratamento diferenciado de alguém por causa de características pessoais, raça/etnia, gênero, religião, idade, origem social, entre outras.
Violência Sexual - situações de abuso ou de exploração sexual de crianças e adolescentes.
Violência Física - ato de agressão física que se traduz em marcas no corpo, o que já se tornou comum, lamentavelmente, entre casais.
Negligência e Abandono - abandono, descuido, desamparo, falta de responsabilização e descompromisso do cuidado. (crianças nas ruas)
Trabalho Infantil - todo o trabalho realizado por pessoas que tenham menos da idade mínima permitida para trabalhar.
Tráfico de crianças e adolescentes – muitas vezes recrutados para fins de explorac?a?o.
Quase todos esses tipos de violência atingem a criança, o jovem e o idoso, portanto, é um malefício para a comunidade. E grande parte dessas violências acontece dentro dos lares, praticadas por parentes, por cuidadores, por vizinhos, por conhecidos.... E hoje nós temos como maior geradora de violência a corrupção, implementada exatamente por quem deveria ajudar a promover a paz.

Nós nos perguntamos: Por que essa violência desenfreada? Eu, particularmente, costumo dizer que é por falta de Deus. Mas essa falta de Deus se dá por conta da maneira como estamos cuidando das nossas crianças, dos jovens e como estamos nos portando em relação aos idosos, seja na família, na escola e na sociedade.

A cultura da violência nos impõe o exercício constante da desconfiança, da força, da competição, da busca do sucesso a qualquer preço, do prestígio social, do individualismo, do consumismo, da fama e muito mais coisas perniciosas, as quais contrariam a verdadeira escala de valores.

Sabedora disso e preocupada com o seu rebanho, até por que é também da sua alçada, a PARÓQUIA SÃO MATEUS MOREIRA dividiu com as quatro comunidades que a compõem a responsabilidade de mudar ou pelo menos amenizar essa cruel realidade.
À COMUNIDADE DE NAZARÉ cabe a responsabilidade de trabalhar no sentido de fazer valer aquilo a que a criança tem direito, acolhendo-a, conscientizando-a, fazendo-a sentir-se parte importante da comunidade e, assim, livrando-a dos males que estão ao seu redor. A comunidade trabalha a partir do entendimento de que
RESSUSCITAR É GARANTIR O DIREITO DE SER CRIANÇA.

À COMUNIDADE DE SANTA TERESINHA cabe a responsabilidade de se voltar para o idoso, priorizando um trabalho de resgate ou auxiliando na manutenção da dignidade desse segmento. Deve atuar como sendo um suporte às famílias. Nesse mister, atuam os ministros extraordinários da Sagrada Comunhão e os missionários que levam a Palavra de Deus até eles. Muito mais deverá se fazer, pondo em prática o princípio de que
RESSUSCITAR É RESGATAR A CIDADANIA DO IDOSO.

Cabe à COMUNIDADE DE JESUS MENINO a responsabilidade de procurar alternativas para trabalhar com os jovens, no contexto da sociedade em que vivemos, marcada pela “criminalidade, pelos genocídios, pelas drogas, pela corrupção, pelos suicídios, etc. permeada pela histórica e aviltante desigualdade de oportunidades que impera em nosso País”.

Não há como negar que a nossa juventude é herdeira de uma sociedade cheia de contradições. Contudo, tenhamos a esperança de que, com um bom trabalho de conscientização, um bichinho revolucionário, que, naturalmente, palpita no coração dessa moçada, poderá transformar essa crise em criação e “convertê-la em fonte de inspiração e de oportunidade para realizar utopias e sonhos”. E por que não a partir do engajamento nas várias necessidades da paróquia? Esta é a missão primeira da Comunidade Jesus Menino:
RESSUSCITAR É SER SEMPRE JOVEM!

É delegada à COMUNIDADE DE FÁTIMA a responsabilidade de trabalhar no sentido de que
RESSUSCITAR É APRENDER A SER COMUNIDADE

Isto é, viver em ”COMUM UNIDADE”. A Escritura Sagrada já nos traz, no Primeiro Testamento, a tentativa de organizar o povo em grupos, ou seja, formar comunidades, criando-se, naquele povo rude e primitivo, um espírito de fraternidade.
No Segundo Testamento, a dimensão comunitária já se desenvolve de uma maneira plena, com base no mandamento novo trazido por Jesus. A Sua mensagem é fraternalmente profunda, pois é a justiça do Reino. Jesus escolhe os doze discípulos pelo nome e forma com eles a “nova comunidade do Reino”.

Na verdade, hoje, usa-se muito a palavra comunidade. Comunidade isso comunidade aquilo, porém, na realidade, vivemos num mundo onde cada um vive para si. Um mundo cada vez mais anônimo, pessoas isoladas pela competição e fechadas no individualismo. Este faz crescer o consumismo e os interesses pessoais com efeitos nocivos à família. Então, à Comunidade de Fátima cabe trabalhar no sentido da tomada de consciência de que é através do amor e da partilha que se dá a vida em comunidade. E nesta se desenvolverão os dons e as capacidades. “Não basta estar juntos, ou um ao lado do outro na mesma casa. É preciso que haja objetivos comuns, metas definidas, prioridades básicas que favoreçam a superação do individualismo. Faz-se necessário vivenciar relações interpessoais. A comunidade cristã tem um elo que une e fortalece os seus membros, é a mística do serviço e da oração em comunidade.” A Comunidade de Fátima faz isso muito bem com o seu TERÇO NA PRAÇA. É o meu entendimento!
Somente com esses trabalhos das quatro comunidades, levados a efeito com propósito e em união, é possível mudar a CULTURA DA VIOLÊNCIA para a CULTURA DA PAZ, pelo menos ao nosso redor.
Porém, há de se ter consciência de que a paz não está apenas no individualismo íntimo de cada um; também não significa a completa ausência de conflitos. Não, não é tão fácil assim. A paz, nós devemos construí-la nas relações interpessoais, com paciência, tolerância, coragem, amorosidade, esperança, cooperação e solidariedade.
Muito bem! Mesmo munidos de tudo isso, será que nós somos capazes de, sozinhos, sem uma força maior, sem um amparo, conseguir o que nos é de direito, o que tanto queremos, a paz? Certamente não. Nós precisamos colocar no centro de nossas vidas aquela que gerou Jesus, Príncipe da paz, Maria. Mulher do diálogo, da ternura, da misericórdia e, portando, Mulher de paz, a Rainha da Paz.
O papa Francisco afirma que estamos vivendo uma “terceira guerra mundial em pedaços”. E para enfrentarmos essa guerra em pedaços e encorajarmo-nos para construir comunidades de paz, havemos de nos espelhar nos exemplos de Maria, evidenciados em vários momentos de sua vida terrena:
1) Maria, ao ser abordada pelo Anjo com a notícia de que conceberia o Filho de Deus, um dom grande demais para uma jovem moradora da cidadezinha de Nazaré, sem muita projeção na época, ela, como muita HUMILDADE, disse sim.
2) Mesmo com humildade e tendo recebido a paz, Maria não se manteve passiva, ela teve a CORAGEM de dialogar com o anjo, e este lhe afirma: “O Espírito Santo virá sobre você e a força do Altíssimo a cobrirá com sua sombra”. (Lc 1,35).
3) Nessa mesma ocasião, Maria fica sabendo que sua prima Isabel, já idosa, estava grávida de alguns meses. Então ela, com o espírito transbordante de SOLIDARIEDADE, pega a estrada, um caminho meio difícil, e vai, até um povoado distante, onde mora o casal, Isabel e Zacarias, visitar e cuidar da prima, por algum tempo.
4) Nas Bodas de Caná, Maria demonstrou o seu senso de COOPERAÇÃO no seio da comunidade, quando, ao ver que o vinho havia acabado, pediu ajuda ao Filho, o Poderoso!
5) Maria, em vários momentos, sofreu, com PACIÊNCIA e AMOROSIDADE diante de certas colocações feitas pelo seu Filho Jesus, tais como:
• Quando Ele fica no Templo e José e Maria voltam para procura-Lo e Ele diz: “Porque me procuravam? Não sabiam que eu devo estar na casa de meu Pai?” (Lc 2,49).
• Quando, em Caná, Maria pede que Ele faça alguma coisa porque faltou vinho, e Ele responde: “A minha hora ainda não chegou”. (cf Jo 2,4)
• Ele também não a poupa quando diz que sua mãe e seus irmãos são aqueles que escutam a palavra de Deus e a põem em prática ( cf Lc 8,21).
• Mais uma vez, com PACIÊNCIA e TOLERÂNCIA, Maria, silenciosamente, suportou o redimensionamento que Jesus faz da sua expectativa, quando, do alto da Cruz, Ele aponta para João e diz: “Mulher, eis aí o seu filho”!(Jo 19,26).

Estes e muitos outros exemplos mostram que, embora o Altíssimo tenha preservado Maria do mal e a tornado bendita entre as mulheres, não a preservou do “cansaço do coração”, conforme disse São João Paulo II ( Redemptoris Mater, nº 17)
Mesmo com o coração cansado, Maria nunca perdeu a ESPERANÇA, nem durante o Calvário e Crucificação do seu Filho. É esperança assim que devemos ter e irmos a luta, como Maria foi, até alcançarmos o que Jesus nos prometeu, e com testemunha, “A paz esteja convosco”!

Então? Deduzimos de tudo isso que a nossa relação com Maria deve ser de muito amor, de muita veneração, de muito respeito, sempre com a certeza de que é por Maria que chegaremos ao Senhor Jesus, por cuja misericórdia atingiremos a paz. Caminhemos pelas mãos de Maria porque ela é a Mãe de Deus, a discípula primeira de Jesus, a Eva do nosso tempo que não foi desobediente, a grande missionária, promotora da concórdia entre os homens. Ela nos “indica o caminho para uma vida harmônica perfeitamente integrada na teia das diversificadas relações humanas”.

Minhas irmãs, meus irmãos, é responsabilidade de todos nós, como discípulos de Cristo que somos, buscarmos e fazermos prevalecer a paz que Maria recebeu na humilde casa de Nazaré. E conseguiremos isso seguindo as pegadas de Jesus, conduzidos pelas mãos da Bem-aventurada Maria Imaculada!

Desculpem-me haver me alongado tanto! Quero encerrar, junto com toda a assembleia, saudando essa Mulher fantástica com uma Ave Maria!

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FONTES CONSULTADAS:
? FARIAS, Ian. MARIA: MODELO DE VIVÊNCIA DA PAZ. https//beinbetter.worpress.com. Acesso em 11/5/2018
? ACCIOLY, Thaís. CULTURA DA PAZ. www.somostodosum.com.br Acesso em 10/5/2018
? SARAIVA, Geovani. MARIA, O CAMINHO DA PAZ
? UNICEF. TIPOS DE VIOLÊNCIA. www.unicef.org Acesso em 10/5/2018
? DIAS, Débora. A VIOLÊNCIA INTRAFAMILIAR INFANTIL E SUAS CONSE- QUÊN-CIAS – 2013
? BISINOTO, Padre Eugênio C.Ss.R. A PESSOA DE MARIA DE NAZARÉ – 2016. Aces-so em 9/5/2018
? TAIPA, Antonio Maria Bessa. SOLENIDADE DE SANTA MARIA MÃE DE DEUS. www.diocese-porto.pt . Acesso em 9/5/2018
? FRANCISCO, Papa da Igreja Católica. A NÃO-VIOLÊNCIA: estilo de uma política pa-ra a paz. Vaticano. 8 de dezembro de 2016



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